18 Dezembro 2017
Segunda, 18 Dezembro 2017 00:20

Paiva Netto

 

Natal e Ano-Novo, duas comemorações irmãs. No Ano-Novo ressurge um novo tempo, e no Natal revive Jesus; renasce, pois, a Esperança do mundo.

O saudoso Fundador da Legião da Boa Vontade (LBV), Alziro Zarur (1914-1979), na revista Boa Vontade no 18 (dezembro de 1957), fala-nos um pouco sobre a nossa concepção do Natal do Cristo de Deus:

 

“Desde a criação da Campanha da Boa Vontade, a 4 de março de 1949, nosso prefixo musical é a Canção do Natal de Jesus. Muitos estranharam que a melodia natalina precedesse a nossa mensagem radiofônica em todos os dias do ano. Hoje, entretanto, já entendem isso: a Legião da Boa Vontade é o Natal Permanente de Jesus, por um Brasil melhor, por uma Humanidade mais feliz. O Cristo nasce, todo dia, no coração daqueles que sabem sofrer e amar, aqueles que formarão ‘um só rebanho para um só Pastor’”.

 

Em O Brasil e o Apocalipse, volume III, saliento que o fato mais destacado de toda a História da Humanidade, visível ou invisível, é a Volta de Jesus Ecumênico, portanto sem grilhões. Basta ver que Ele mesmo, além de anunciar Seu retorno triunfante a este mundo várias vezes no Evangelho e no Apocalipse, dedica um sermão inteiro ao Fim das Épocas (Mateus, 24 e 25), que é também o início de uma Era novíssima, singularizada na Jerusalém Celestial, constante do Livro das Profecias Finais (capítulo 21, versículos 2 e 10). Qual o coroamento do Seu discurso? Justamente a Parusia, isto é, a Sua Volta Gloriosa.

 

Como, Malraux?

Não foi sem motivo que André Malraux (1901-1976), intelectual dos mais festejados, famoso ministro da cultura da França, manifestou um grave pensamento de sua intimidade:

 

“O século XXI será religioso ou não existirá”.

 

Contudo, prezado Malraux, não mais religião como trágico conflito, mas, sim, o procedimento eterno do Amor Divino, que quer que nos amemos uns aos outros, como Jesus nos ensina no Evangelho, segundo João, 13:34 e 35 e 15:13:

 

“Novo Mandamento vos dou: Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. Não há maior Amor do que doar a própria Vida pelos seus amigos”.

 

Por isso mesmo, João Evangelista escreveu em sua Primeira Epístola, 4:7 a 9 e 16 a 21:

 

“7 Amados, amemo-nos uns aos outros; porque a Caridade é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece Deus.

“8 Aquele que não ama não conhece Deus; porque Deus é Amor, Deus é Caridade.

“9 Nisto se manifestou a Caridade de Deus para conosco: Deus enviou Seu Filho Unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos.

“(...)

“16 E nós conhecemos, e cremos no Amor que Deus nos tem. Deus é Amor, Deus é Caridade; e quem está em Caridade está em Deus, e Deus nele.

“17 Nisto é perfeita a Caridade para conosco, para que no Dia do Juízo tenhamos confiança; porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo.

“18 Na Caridade não há temor, antes a perfeita Caridade lança fora o medo; porque o medo tem consigo a punição, e o que teme não é perfeito na Caridade.

“19 Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”.

 

E Deus nos amou primeiro, por intermédio de Cristo Jesus, sublime expressão de Fraternidade vista neste mundo.

 

“20 Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

“21 Ora, temos da parte Dele este mandamento, que aquele que ama a Deus, ame também a seu irmão”.

 

Eis a mensagem permanente do Natal de Jesus e de um Ano-Novo em que haja mais humanidade da humanidade para a Humanidade. E se “o século XXI (...) não existirá” se não for religioso, que o seja mais: transmude-se no grande amplexo das religiões, em gloriosa Religião de Amor e de Fraternidade.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Sexta, 15 Dezembro 2017 01:50

Paiva Netto

 

Com a proximidade de um novo ano, repete-se o salutar costume dos votos de esperança por tempos mais felizes. Na palestra que proferi em 20 de dezembro de 2008, transmitida pela Boa Vontade TV, pela Super RBV de rádio e internet (www.boavontade.com), procurei analisar esse anseio de renovação, fundamentando minhas palavras nos versículos iniciais do capítulo 21 do Apocalipse de Jesus, segundo São João, e nos derradeiros do capítulo 22.

Visei com a mensagem demonstrar que o Livro das Profecias Finais apenas relata as consequências dos feitos humanos. Em nossa intimidade, escrevemos as páginas do nosso destino. Logo, quanto mais espiritualizado o povo, educado e instruído, melhor o rumo das nações. Como sempre ressalto: Ano-novo! Ano-bom? Depende de nós!

 

21:1 – “E vi novo céu e nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar não mais existe”.

 

A profecia de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, anuncia profunda transformação batendo às portas. E se é “um novo céu e uma nova terra”, vislumbra-se Humanidade renovada! Contudo, aquilo que o Amor não consegue concretizar a Mestra Dor comparece e apresenta a lição.

 

21:2 – “Eu, João, vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que da parte de Deus descia do céu, vestida como noiva adornada para o seu esposo”.

 

Jerusalém é um grande símbolo religioso, político e social no mundo, principalmente para judeus, cristãos e islâmicos, de várias etnias. Todos filhos de um mesmo Pai, pois assim devemos ver-nos, para, aliados, auxiliar na prevenção de tanto assunto que pode ser diplomaticamente afastado ou resolvido, até mesmo com antecedência.

 

A Esperança não morre nunca

Notem que João Evangelista narra Jerusalém descendo do Céu. Por que esse e não outro burgo? Vamos por partes: Ele era judeu. A ideia que tinha de cidade maior, para o seu coração crente, era Jerusalém. Também conhecia Roma. Entretanto, dificilmente diria: “Desce do céu a nova Roma”. Esta era metrópole culta, cosmopolita, porém altamente bélica. Cartago que o diga. Jerusalém possuía algumas dessas características. Não obstante, o seu povo acreditava num Deus único, assim como o Evangelista-Profeta.

Jerusalém é um encanto místico. Comove o coração da gente. Mas tem sido pelos milênios pretexto para tristes acontecimentos. Todavia, a Esperança não morre nunca, raciocínio que concebi, há muitas décadas, ao ver, na televisão, um moço lamentar haver perdido a fé no futuro. Alguns, até com motivo envinagrados, retrucam: “Eu não creio nessa coisa de Esperança”. Então, o que propõem? O desânimo? O desprezo da criatura por si própria e por seus pares? Tem de haver Esperança! E, acima de tudo, vontade de realizar. Do contrário, o que lhes resta? Deitar e morrer? A Alma carece de bom estímulo. (...) Como dizer aos jovens que não alimentem a Esperança? Se o idealismo não sobreviver, que lhes sobrará? Um campo aberto para o esmorecimento. Todos percebem que, num mundo globalizado, o mal que acontece lá (qualquer lá) poderá nos abranger. Vejam a questão da economia, em 2008, de que poucos suspeitavam. Inacreditável, não é? (...) Outrossim, necessário se faz algo além do presente estágio do conhecimento terrestre: ligarmo-nos ao governo ideal que começa no Céu. Trata-se de tema que, um dia, a cautelosa Ciência abordará sem preconceitos. A intuição é a inteligência de Deus em nós. Muita vez, o que a razão demora a captar ela mais rápido alcança.

Que no novo ano busquemos na Espiritualidade Superior a bússola de nossa existência. E que haja Esperança, sim, e trabalho, de modo que ergamos para os moços condições de usufruírem um mundo mais digno, sem nunca esquecer os mais vividos, idade a que a maioria, com o avanço da medicina, certamente atingirá.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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Quinta, 14 Dezembro 2017 00:19

Paiva Netto

 

O organismo humano é a mais extraordinária máquina do mundo. Mesmo assim, falha. Contudo, com Amor, até os remédios passam a ter melhor resultado. Por isso mesmo, a decisão da Assembleia Mundial de Saúde, com o apoio da ONU, de instituir, desde outubro de 1987, o primeiro de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a Aids, é de enorme importância. Tanto que, no ano seguinte, nosso país adotou a data por meio de uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.

Nossos Irmãos que padecem com o vírus HIV e os que sofrem de outros males físicos, mentais ou espirituais precisam, em primeiro lugar, de Amor Fraterno, aliado ao socorro médico devido. Se a pessoa se sentir espiritual e humanamente amparada, criará uma espécie de resistência interior muito forte, que a auxiliará na recuperação ou na paciência diante da dor. Costumo afirmar que o vírus do preconceito agride mais que a doença.

Aos que sofrem o abandono a que foram relegados por antigos correligionários, por amigos de discussão intelectual e até mesmo pelos seus entes mais queridos, o conforto destas palavras do saudoso dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, na sua tocante obra Da Esperança à UtopiaTestemunho de uma Vida: “A graça de Deus não esquece ninguém nem se regula por crachás. Basta lembrar o segundo capítulo do livro Gênesis para sentir como o sopro de Deus infunde vida ao ser humano e lhe dá como companheira a Esperança por toda a vida. (...) Afinal, o mundo é de Deus, e Deus está presente no coração de cada pessoa, por menos que esta O sinta ou O exprima de viva voz. (...) A utopia é a união de todas as esperanças para a realização do sonho comum. Se realizarmos este sonho, teremos construído uma nova realidade.

Longe do Amor Fraterno, ou Respeito, se assim quiserem apelidá-lo, o ser humano jamais saberá viver em Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, porque a sua existência ficará resumida a um terrível “cosmos”, o mesquinho universo do egoísmo. Por esse motivo, escreveu o pensador e sociólogo francês Augusto Comte (1798-1857): “Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também da felicidade”. Trata-se de uma lição que ninguém deve esquecer em circunstância alguma.

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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